Postado em 18 de Julho de 2019 às 16h21

Alex Sander da Silva

Voz do Autor (36)

Esta semana convidamos Alex Sander da Silva para falarmos sobre a sua obra “Educação e Experiência Estética: desencantamento do conceito educativo”. Veja, a seguir, a entrevista com o autor acerca da obra.

Quais são suas áreas de atuação?

Sou licenciado em Filosofia, com mestrado e doutorado em Educação. Atuo principalmente com temas relacionados à filosofia da educação, ética e estética, educação para as relações etnicorraciais, teoria crítica da educação. Sou professor do programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Extremo Sul Catarinense.

Você já produziu outros trabalhos com esta temática ou afins?

Tenho me dedicado na pesquisa sobre a temática da “expressividade e da experiência estética” desde as pesquisas para constituir a tese de doutorado. Antes de organizar a obra, publiquei um número significativo de artigos sobre a temática.

Partindo para o processo criativo do livro, quais metodologias foram utilizadas para elaboração da obra?

A metodologia baseou-se, principalmente, na leitura das obras do filósofo Theodor Wisengrund Adorno. Os capítulos foram ensaios analíticos constituídos de forma independente, isto é, foram escritos separados e depois organizei aquilo que resultou na estrutura do livro. Posso dizer que foi um trabalho constelativo na forma de um mosaico, em que cada conceito foi colocado em seu lugar adequado para dar força ao argumento central da obra. Ou seja, naquilo que Adorno entende: “O desencantamento é o antidoto da filosofia”.

Em relação aos seus objetivos escrevendo o livro, como você espera que os leitores captem a essência dele?

Espero que o/a leitor/a entenda que a educação é um processo aberto e que necessita do diálogo com outras formas culturais (a arte, a literatura) para poder contribuir na formação dos sujeitos. Que o processo educativo seja entendido em sua riqueza conceitual e no seu caráter amplamente formativo. Como diz Adorno, a educação não é um “mero ajuste de pessoas”, ou de formação de “pessoas bem ajustadas”, e sim um processo de “autorreflexão crítica” da própria formação. Por isso a importância da ligação e do diálogo entre Educação e Filosofia.

O que você considera como sua contribuição à área?

Minha contribuição talvez seria em poder trazer para um público não especializado alguns temas próprios da filosofia da educação com o intuito de ampliar o leque de opções para estudos nessa área. De tentar “interpretar” parte da obra de Theodor Adorno para aqueles que já conhecem o autor a partir de outros temas que não os relativos à educação, na perspectiva da expressividade e da experiência estética.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou neste campo da educação?

A maior dificuldade foi tentar “traduzir” conceitos “filosóficos” para uma linguagem para leitores iniciantes da filosofia na sua aproximação com a educação.

Quando surgiu o interesse em estudar sobre Theodor W. Adorno?

Existe hoje uma ampla tradição de estudos sobre a teoria crítica no Brasil, particularmente, da chamada primeira geração da Escola de Frankfurt, no qual incluo minha própria orientadora professora Nadja Hermann, o grupo de pesquisa de Teoria Crítica e Educação, criado pelo professor Bruno Pucci. Por intermédio desses interpretes, de seus textos, palestras e aulas, é que surgiu o meu interesse por Theodor W. Adorno. Eu vi nesse pensador uma forma provocante de encarar o desafio para se pensar a nossa sociedade atual. Muitas categorias de análises deste autor servem como chave de leitura para o momento que estamos passando na conjuntura política mundial e brasileira. Nesse aspecto, com Adorno aprendi a necessidade da resistência crítica em seu nível mais sofisticado do pensamento e da reflexão sobre o papel da educação como formação cultural ampla.

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