Postado em 13 de Junho de 2016 às 16h24

Sandra Makowiecky

Voz do Autor (36)
Com o objetivo de oferecer diversas visões a respeito da arte em uma mesma obra, em “Ensaios em torno da arte”, das organizadoras Sandra Makowiecky e Sandra Ramalho e Oliveira, o leitor é convidado a buscar, em fontes diversas, respostas (ou mais perguntas) para a multiplicidade de questões relacionadas à arte.

Veja, a seguir, uma entrevista com uma das organizadoras acerca da obra.

De que trata o livro e para quem se destina?
O livro oferece sete abordagens distintas acerca da arte, do ensino da arte, da crítica, da filosofia, da história da arte e, inclusive, do design, por meio de um artigo que propõe refletir as relações entre arte e design. Para leigos que se interessam por arte e cultura, este livro proporcionará uma visão abrangente de arte que, ao certo, estimulará a busca de novas leituras. Para estudantes de graduação nas áreas de arte ou outras a elas relacionadas, principalmente para os que estão em fase de escolha de base teórica para um TCC ou outro trabalho acadêmico, serve como um panorama que contém diversas possibilidades. Para os professores de disciplinas que tratam da imagem, seja em cursos na área da arte, da educação, da comunicação, seja da publicidade, do design, da moda ou da psicologia – já que muitas áreas de conhecimento, além da arte, têm voltado suas investigações para as imagens – o livro oferece textos que suscitam instigantes debates nas salas de aula das Universidades.

O que as motivaram a escrever esta obra?
Decidimos organizar a obra porque percebemos uma lacuna em termos de reflexões sobre a arte, de autoria de estudiosos brasileiros. Isto porque, dadas as características da política editorial nacional, apenas autores muito conhecidos acabam publicando livros. Por outro lado, autores cuja produção é respeitável no âmbito das Universidades, acabam publicando apenas em anais ou revistas científicas, o que não é acessível para um grande contingente de leitores potenciais. Pior ainda são as palestras em eventos sem anais, cujas palavras se perdem ao vento. Por último, temos a certeza de que uma coletânea não tão diversa quanto é a arte, mas “em torno da arte”, atenderá uma demanda de publicações crescente na área, dada a expansão do ensino superior no país, bem como a importância cada vez maior da linguagem visual na sociedade contemporânea.
    
Quais foram os seus objetivos ao escrever esta obra?
Reunir pensamentos diversos que, não obstante, são direcionados para um único objeto de estudo, a arte. Com isso, mostrar, principalmente aos alunos de graduação dos mais variados cursos já citados, que não há competição entre uma abordagem e outra, uma linha teórica e outra. São apenas modos diferentes de conceber, perceber e investigar fenômenos estéticos visuais, todos contribuindo para tentar dar conta da diversidade que é a linguagem visual. Além destes objetivos, outros estão expressos nas respostas anteriores.

Por que a escolha do tema?
Porque é a área de competência das organizadoras; e porque, dada a mesma competência, saberíamos onde buscar colegas com produção significativa para compor conosco o livro.

Qual a relevância do tema abordado no livro com os temas atuais?
Um dos temas mais atuais da contemporaneidade é a invasão da tecnologia no cotidiano de todas as pessoas, que propõe novos modos de ver e de viver; novas relações entre as pessoas, novas relações das pessoas com os objetos e com as imagens. Existe uma produção permanente de conteúdos, conhecimentos ou informações, que são veiculados apenas na “forma” de imagem, e não de outro. A “imagemização” é tão importante quanto a alfabetização, na construção da cidadania e da liberdade de escolha.

Toda obra acaba construindo um leitor. Durante a escrita dessa obra que leitor você teve em vista?
A diversidade de leitores, os diferentes olhares e pensamentos. Como organizadoras, sinceramente, pensamos em um leitor como nós: que nem sempre lê um livro inteiro, coletânea ou obra de um só autor, mas que sabe que páginas pular ou sublinhar, não por serem melhores ou piores, boas ou ruins, mas por servir ou não para o propósito da investigação do momento.

Qual a metodologia utilizada na elaboração da obra?
Apenas colocamos para todos os coautores, inclusive nós mesmas, a seguinte pergunta: “afinal, o que é a arte?”.

O que o tema/foco da obra traz de (conhecimento/novo) para o leitor?
Vou responder com o relato de um fato real. De certa feita, um advogado interessado em arte me deu uma grande lição. Como gostava de conversar comigo acerca dos assuntos da “minha área de conhecimento” (a Arte) e não da dele (o Direito), perguntei-lhe porque se interessava por questões que “não eram da sua área”. E ele me respondeu: “como não é minha área? Eu sou gente!”. Ele já se foi; e se chamava Paulo Guilherme Poyares dos Reis.

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