Postado em 16 de Julho de 2019 às 16h23

Crise nas Humanidades: por que o trabalho de João Cezar de Castro Rocha importa

Notícias em destaque (318)

Em seu livro mais recente, “Leituras Desauratizadas: Tempos Precários, Ensaios Provisórios”, João Cezar de Castro Rocha fala sobre alguns dos autores e temas que se tornaram muito importantes em seu trabalho ao longo das últimas duas décadas: Machado de Assis e Shakespeare, jornalismo cultural e xadrez, museus e o atual estado da Crítica Literária (um dia eu adoraria vê-lo escrever sobre futebol, com a paixão e a competência que conheço de nossas – até agora – conversas privadas).

No entanto, apesar das perspectivas inovadoras que ele extrai dos temas que analisa, o livro é, acima de tudo, uma busca por novas formas – mais precisamente, uma busca e um experimento sobre novas formas de escrever por meio das quais a Crítica Literária e as Ciências Humanas em geral poderiam, no futuro, atingir leitores de fora do ambiente acadêmico e, assim, fazer uma contribuição (talvez decisiva) para sua própria sobrevivência institucional e intelectual.

Tanto o título do livro como a introdução de Valdir Prigol descrevem exatamente essa intenção: Prigol identifica algumas das técnicas e estratégias discursivas com as quais João Cezar, como autor, traz o leitor para dentro de suas análises e argumentos. Ao mesmo tempo, o título anuncia como isso poderá acontecer – se é que acontecerá – em um ambiente histórico no qual parecemos ter perdido todas as certezas tradicionais (“tempos precários”), no qual não acreditamos mais na condição quase transcendental dos objetos culturais que apreciamos e respeitamos (“leituras desauratizadas”) e no qual, por todas essas razões, tudo o que escrevemos ou dizemos tem um caráter provisório (“ensaios provisórios”).

Mas todos esses conceitos talvez não sejam fortes e específicos o suficiente (afinal, há regras de modéstia autoral) para expressar de maneira aprofundada por que a prática de João Cezar é muito mais do que só mais uma tentativa desesperada – e desesperançosa – de atribuir ao nosso trabalho nas Ciências Humanas uma relevância de que muito precisamos.

Para conferir a matéria completa publicada pelo Estadão, clique aqui.

Veja também

“A danação do objeto: o museu no ensino de História”04/04/19 “A danação do objeto: o museu no ensino de História”, de Francisco Régis Lopes Ramos, foi o primeiro volume da Coleção “História e Patrimônio”, organizada pelo Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina (CEOM) e publicada pela Argos Editora da Unochapecó. O pesquisador e educador Francisco Régis sempre desconfiou......
Volta às Aulas na Argos12/08/19 As aulas começaram e, além de vários lançamentos exclusivos, a Editora Argos preparou descontos imperdíveis!  Entre os dias 8 e 16 de agosto de 2019, todos os livros estarão com até 70% de desconto para......
Contra o individualismo no capital social09/05/16 “Fundamentos teóricos do capital social”, do sociólogo Silvio Salej Higgins, é o resultado de uma tentativa de sistematização das perspectivas de análise dos principais mentores do capital social nas......

Voltar para Notícias