Postado em 08 de Julho de 2016 às 16h10

“Dizer o que não se deixa dizer”

Notícias em destaque (318)
Revitalizar – esta é a palavra-chave da leitura de “Dizer o que não se deixa dizer”, de Rodrigo Duarte. Os seis textos do livro, dos quais três são inéditos em língua portuguesa, adquirem nova vida quando reunidos nesta publicação e dizem muito mais do que lidos individualmente, a partir das publicações em revistas científicas.
Dizer o que não se quer dizer, o que não se deve, não se pode, não permite ou o que não se pensou dizer? No livro é colocado em cena o conceito de expressão. Podemos percorrer o conceito nos capítulos e a forma como o autor, desde a década de 1990, quando iniciou suas pesquisas, justifica a superioridade do conceito de expressão em relação ao de comunicação. Num mundo em que a comunicação é considerada o ponto-chave, ainda que marcada por elementos concretos como no início do século, ressaltar a expressão é um desafio instigante e sedutor.
Se o conceito de comunicação, advindo do fato de que por meio da comunicação se estabelece o fundamento das relações humanas, muito tem sido explorado nos mais diferentes aspectos teóricos, tecnológicos e sociais, o de expressão parece ainda se ligar de forma quase automática ao de comunicação, mas sem uma independência clara e autônoma. A preponderância do conceito de comunicação ao de expressão deve-se à ideia de neutralidade e objetividade a que o primeiro conceito se associa, em detrimento das questões estéticas envolvidas no conceito de expressão. No livro de Rodrigo Duarte vem suprir, fundamentando-se em Adorno e Horkheimer, contrapondo-se a Habermas, o conceito de expressão é fartamente problematizado.
O problema estético traz questões bem práticas: “[...] o que vemos no processo de desenvolvimento da civilização ocidental é precisamente a restrição progressiva do pensamento humano a problemas de natureza técnica, impedindo assim o potencial da razão de trazer a felicidade humana.” E, evidentemente, existem fatores econômicos ligados à dominação, que determinam esse desenvolvimento na maneira em que ocorre, de modo que a cognição tende a se restringir a seus aspectos técnicos: “Técnica é a essência desse conhecimento.” A forma rigorosa e provocante como Rodrigo Duarte investiga a expressão contribuirá para uma nova visão do conceito e para todos cujas pesquisas e estudos envolvem filosofia e estética.

Veja também

Coleção Grandes Temas06/10/17 A Coleção, como diz no próprio nome, aborda grandes temas que estão presentes na sociedade, na vida empresarial e profissional, adentrando por assuntos discutidos acerca da filosofia, da arquitetura, da educação, da escrita e até da economia.Resultado de pesquisas acadêmicas, de caráter stricto e lato sensu, a maioria dos autores são professores......
Promoção do Dia dos Namorados07/06/18 Em 12 de junho, no Brasil, é comemorado o Dia dos Namorados. Passamos a comemorar nesse dia depois de 1948, com o objetivo de melhorar o número de vendas no mês de junho. O Dia dos Namorados, de fato, chamado de Valentine’s Day,......

Voltar para Notícias